quarta-feira, 28 de novembro de 2012

2012 bateu recordes de calor e degelo no Ártico



"Temperaturas extremas, seca, cheias e perda de gelo no Ártico sem precedentes marcaram o clima global em 2012, aumentando a preocupação perante a evolução das alterações climáticas, indicou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) num relatório.


"A mudança climática está acontecer diante dos nossos olhos e continuará assim", declarou o diretor da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Michel Jarraud, ao divulgar um relatório climático que coincide com as novas negociações sobre um tratado da ONU para conter os efeitos estufa.
O período de janeiro a outubro de 2012 foi o nono mais quente desde que os registos começaram a ser feitos em 1850, informou a OMM. A temperatura terrestre e na superfície dos oceanos ao longo destes 10 meses foi cerca de 0,45 grau Celsius acima da média de 1961-1990, acrescentou.
"Observou-se em todo o mundo a ocorrência de eventos extremos notáveis, mas algumas partes do hemisfério norte foram afetadas por extremos múltiplos", destacou Jarraud, chamando a atenção para vários episódios.
Ondas de Calor
Nos Estados Unidos foram registados 15.000 novos recordes de temperatura diária só em março, assim como o sul da Europa, grande parte da Rússia e no noroeste da Ásia.
A seca atingiu muitos países, afetando 9,6 milhões de pessoas nas províncias chinesas de Yuan e Sichuan.

Inundações

Várias inundações atingiram muitas partes do oeste da África e do Sahel entre julho e setembro, que afetaram cerca de três milhões de pessoas e mataram pelo menos 300.
Na região de Krasnodar, no oeste da Rússia, as inundações de julho mataram cerca de 200 pessoas e causaram danos em propriedades estimados em 630 milhões de dólares.
Algumas regiões do sul da China enfrentaram as chuvas mais intensas dos últimos 32 anos em abril e maio.

Tempestades

Diversas tempestares deixaram um rasto de danos nas Caraíbas e na costa leste dos Estados Unidos, enquanto a bacia do Atlântico viveu uma temporada de furacões acima da média pelo terceiro ano consecutivo. Segundo a OMM, 19 tempestades tropicais atingiram a região até agora, dez delas como furacões.
Na segunda-feira, o governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, estimou os custos dos danos da super tempestade Sandy em mais de 60 mil milhões de dólares só em Nova Iorque e Nova Jérsia.
Os efeitos foram "muito maiores do que (o de furacões similares) há 100 anos atrás", disse Jarraud, destacando que os níveis do mar hoje estão 20 centímetros mais elevados, o que permite que a água avance mais para o continente no caso de uma tempestade.
Perda de gelo do Ártico
A OMM também alertou para o derretimento, sem precedentes, do gelo marinho no Ártico, confirmando dados publicados em setembro pelo Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos.
A cobertura de gelo ártico encolheu para apenas 3,4 milhões de quilómetros quadrados, atingindo o ponto mais baixo a 16 de setembro, 18% a menos do que o recorde de baixa anterior, em 2007.
O novo registo também foi 49% mais baixo do que a média de 1979-2000, correspondendo a uma perda adicional de gelo de cerca de 3,3 milhões de quilómetros quadrados, mais ou menos o tamanho da Índia, acrescentou a OMM.
"Em agosto, o gelo no oceano Ártico perdeu uma média de cerca de 92.000 quilómetros quadrados de gelo por dia, a perda mais rápida já observada para um mês de agosto", destacou o relatório.
O documento apontou para a Gronelândia, cuja perda de gelo terrestre é considerada particularmente séria pois pode causar a elevação do nível do mar, destacando ter registado um recorde absoluto de calor para maio, quando os termómetros chegaram aos 24,8ºC.
A cobertura de gelo, tanto do Ártico quanto da Gronelândia, parecia estar a derreter "relativamente mais rápido" do que o previsto cinco anos atrás, disse Jarraud, destacando que "a tendência não apenas continua, mas está a acelerar".
Jarraud alertou que as temperaturas mais elevadas ocorreram apesar da influência de arrefecimento do fenómeno climático La Niña no Oceano Pacífico tropical no início do ano.
O diretor da OMM admitiu ser difícil atribuir qualquer evento climático extremo único ou fenómeno de temperatura ao aquecimento global. Mas tais eventos não "são incompatíveis com o aquecimento global" e são "provavelmente uma consequência disso", afirmou.
A divulgação do relatório da OMM, baseado em dados climáticos preliminares de 2012, coincidiu com as negociações anuais sobre clima da ONU, celebradas este ano em Doha, Qatar."
Sapo Notícias